segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Prólogo


Lisa
Londres (flashforward)

Como pedir a uma pessoa para manter a calma ao sentir a morte se aproximando? Como irei convencê-lo a não entrar em pânico se seu corpo não o obedece, ficando cada vez mais fraco e febril? Não é a primeira vez que alguém precisa de mim dessa forma. Já deveria ter me acostumado, mas acho que é assim que deve ser, nós estamos conectados agora. Tenho que dividir o medo, o pavor dele comigo, carregar seu peso. Apesar de o meu próprio pânico crescer a cada instante, não posso deixar que ele veja isso nos meus olhos.
É difícil de acreditar que justo ele seja meu novo protegido. Como não previ isso? Como não senti que isso aconteceria?
As mãos dele seguram a minha com o pouco de força que ainda lhe resta. Ele quer tentar dizer algo, mas suas palavras sussurradas estão longe de serem compreendidas. Mantenho seu corpo no meu colo, afagando seu cabelo e até mesmo tento sorrir. Que hora para uma mudança! Em meio ao caos.

Os outros nos olham preocupados sem entender o que está acontecendo, mantenho-os afastados e me foco em tranquilizá-lo. Aproximo meu rosto do dele, toco sua testa na minha. Sua pele quente e a minha fria, como dois opostos procurando por um equilíbrio. Um servindo ao outro o que pode oferecer.