Lisa
Londres (flashforward)
Como pedir a
uma pessoa para manter a calma ao sentir a morte se aproximando? Como irei
convencê-lo a não entrar em pânico se seu corpo não o obedece, ficando cada vez
mais fraco e febril? Não é a primeira vez que alguém precisa de mim dessa
forma. Já deveria ter me acostumado, mas acho que é assim que deve ser, nós
estamos conectados agora. Tenho que dividir o medo, o pavor dele comigo,
carregar seu peso. Apesar de o meu próprio pânico crescer a cada instante, não
posso deixar que ele veja isso nos meus olhos.
É difícil de
acreditar que justo ele seja meu novo protegido. Como não previ isso? Como não
senti que isso aconteceria?
As mãos dele
seguram a minha com o pouco de força que ainda lhe resta. Ele quer tentar dizer
algo, mas suas palavras sussurradas estão longe de serem compreendidas.
Mantenho seu corpo no meu colo, afagando seu cabelo e até mesmo tento sorrir.
Que hora para uma mudança! Em meio ao caos.
Os outros
nos olham preocupados sem entender o que está acontecendo, mantenho-os
afastados e me foco em tranquilizá-lo. Aproximo meu rosto do dele, toco sua
testa na minha. Sua pele quente e a minha fria, como dois opostos procurando
por um equilíbrio. Um servindo ao outro o que pode oferecer.